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Qual a melhor forma de lidar com enjoos e desejos na gestação?

Qual a melhor forma de lidar com enjoos e desejos na gestação?

Um prato de comida, o cheiro de um perfume ou o famoso mal-estar matinal. Quem já teve, sabe que o enjoo é considerado tão normal quanto os inexplicáveis desejos e, acontecem durante a gestação. Para falar sobre todas as alterações e sintomas que o corpo em transformação da mulher apresenta, convidamos a Médica Ginecologista e Obstetra, Dra. Taís Albrecht de Freitas, para este bate-papo:

  1. A que se pode atribuir o mal-estar durante a gravidez?

Eu costumo dizer que a gestação é uma “caixinha de surpresas”, no sentido de haver a POSSIBILIDADE de diversas ocorrências esperadas, devido aos mecanismos de mudanças fisiológicas no organismo da mulher – famosa frase dita pelos médicos – “é normal”! Eu digo desta forma porque as pessoas não entendem como sintomas “ruins” podem ser normais; mas é exatamente isso e a culpa é dos hormônios (principais são: estrogênio, progesterona e gonadotrofina coriônica – HCG).

Inicialmente, pode haver sintomas gastrointestinais (como náuseas e vômitos), neuroendócrinos (sonolência, alteração do humor, “desejos”, dor e sensibilidade nas mamas), alterações circulatórias bastante significativas (aumento do volume sanguíneo circulante – o que por sua vez causa uma diminuição da pressão arterial com sobrecarga cardíaca e pulmonar) – essas são as maiores causadoras de mal estar – é um ciclo: gravidez + hormônios = tonturas, baixa pressão, náuseas e vômitos,  má alimentação, baixa glicose (sem energia) = mal-estar.

Essas, são apenas algumas modificações fisiológicas na gestação, existem várias outras: genito-urinárias (infecção que afeta parte do trato urinário), dermatológicas, ortopédicas etc.

 

  1. Em que período ocorre a maior incidência de enjoos? Eles são passageiros?

Ocorrem diversas modificações físicas e mais ainda emocionais, decorrentes do aumento considerável dos hormônios, sendo inicialmente papel do estrogênio e progesterona, depois somados com hormônio gonadotrófico – HCG, produzido inicialmente por modificações do ovário a partir de 4ª-5ª semanas gestacionais, e depois produção maciça pela placenta.

Assim, 50% das gestantes terão náuseas e/ou vômitos da 5ª até aproximadamente 17ª a 20ª semanas gestacionais, em alguns casos se torna persistente, mas 80 a 90% são temporários. Tudo é variável, cada organismo reage de uma forma, talvez nada aconteça com você e vários outros fatos/comorbidades podem interferir na resposta orgânica.

Lembrem-se! Cada gestação é única, você não é comparação a nenhum outro fato ou outra mulher.

 

  1. O que pode agravar os enjoos?

Devemos citar algumas condições que podem agravar os enjoos e vômitos, como: gestações múltiplas (gemelaridade), alterações trofoblásticas gestacionais (uma anomalia na gravidez, como por exemplo, mola hidatiforme) e outras comorbidades: diabetes, condições alimentares anormais, entre outras.

Outras condições são inerentes do processo gestacional. Costumo separar para facilitar o entendimento: O que comer? Como comer? E de que forma será digerido?

Alguns agravantes:

 

  1. Como aliviar os enjoos durante a gestação?

Existem duas formas de conter os enjoos, algumas com boas respostas, outras nem tanto. Opções farmacológicas que na maioria das vezes, são resolutivas e necessitam de orientação médica para prescrição; uma condição peculiar são os vômitos patológicos (hiperemese gravídica), nesse caso por vezes necessita internação hospitalar, pois pode causar desidratação grave da paciente e perda excessiva de peso, ocorrem em 2% das gestações. Tem se estudado a introdução de piridoxina (vitamina B6) associado com extrato de gengibre, os quais atuam como regulador neuroendócrino aliviando os sintomas gastrointestinais (liberado no Brasil – Classe A pelo FDA, sem prejuízo ao binômio mãe e feto).

 

E existem as opções não farmacológicas que são várias:

 

  1. As futuras mamães podem ceder aos desejos durante a gestação?

Os hábitos de alimentação humana estão intimamente ligados às suas crenças culturais e religiosas, tradições e hoje às redes sociais. Sendo assim, na gestação, esses hábitos podem cessar, modificar ou até exceder, então é necessário entender o processo gestacional, saber quais serão as modificações esperadas a fim da paciente conseguir um equilíbrio.

Importante diferenciar duas condições: Pica- vontade de comer alimentos estranhos (como barro, gelo, cabelo – todos esses podem ser prejudiciais, dependendo do caso). Já o desejo, condiciona vontade urgente e cobiça por determinado alimento.

Acredito como mulher que tudo depende, ou seja, se aquele desejo não for prejudicial, não há grandes problemas provar uma porção, mas tudo que está em excesso é sabido que devemos ser cuidadosos.

Em se tratando de buscar uma gestação saudável, ou seja, se houver realmente um preparo para Gestação, Parto e Puerpério a mulher poderá curtir com saúde e prazer um período sublime e transformador de uma família.

 

Fonte:

Taís Albrecht de Freitas

Médica Ginecologista e Obstetra

CRM 151966

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